Uma cafeteria pequena, de 20 a 30 m², com balcão, cinco mesas e dois funcionários, abre em 2026 por R$ 92 mil a R$ 168 mil. Esse número inclui obra, equipamento, mobiliário, estoque, burocracia e — o item que mais gente esquece — capital de giro para seis meses de operação. É cerca de 12% acima do que a mesma loja custava no começo de 2025, e o aumento não veio da máquina de espresso: veio do café verde, do salário mínimo e do aluguel comercial.
O que vem abaixo é a conta aberta, linha por linha, com três números que raramente aparecem nos artigos sobre o tema: quanto a loja gasta por mês depois de aberta, quantos clientes por dia ela precisa atender para não dar prejuízo e quanto o royalty de uma franquia consome do lucro — não do faturamento, do lucro.
Quanto custa abrir uma cafeteria pequena em 2026: a conta fechada
Faixas largas do tipo "de R$ 50 mil a R$ 250 mil" não ajudam ninguém porque misturam três negócios diferentes: um quiosque de 8 m² em corredor de shopping, uma loja de rua de 25 m² e uma cafeteria com cozinha de 60 m². São operações com estruturas de custo distintas. A tabela separa as três.
| Item | Quiosque / balcão 6–10 m² | Cafeteria pequena 20–30 m² | Cafeteria média 50–80 m² |
|---|---|---|---|
| Aluguel: caução + 1º mês | R$ 4.000 – R$ 12.000 | R$ 6.000 – R$ 16.000 | R$ 14.000 – R$ 40.000 |
| Luvas / ponto (quando há) | R$ 0 – R$ 15.000 | R$ 0 – R$ 40.000 | R$ 0 – R$ 80.000 |
| Obra, elétrica, hidráulica, exaustão | R$ 8.000 – R$ 25.000 | R$ 18.000 – R$ 45.000 | R$ 45.000 – R$ 120.000 |
| Projeto e ART do responsável técnico | R$ 1.500 – R$ 4.000 | R$ 3.500 – R$ 12.000 | R$ 8.000 – R$ 25.000 |
| Equipamentos de café e cozinha | R$ 22.000 – R$ 45.000 | R$ 32.000 – R$ 70.000 | R$ 60.000 – R$ 140.000 |
| Mobiliário, louça e comunicação visual | R$ 4.000 – R$ 10.000 | R$ 11.000 – R$ 28.000 | R$ 26.000 – R$ 60.000 |
| Estoque inicial (café, leite, insumos, embalagem) | R$ 3.000 – R$ 6.000 | R$ 6.000 – R$ 12.000 | R$ 12.000 – R$ 24.000 |
| Abertura de CNPJ, alvarás, AVCB, contador | R$ 3.000 – R$ 7.000 | R$ 5.000 – R$ 12.000 | R$ 8.000 – R$ 18.000 |
| Capital de giro (6 meses de colchão) | R$ 12.000 – R$ 25.000 | R$ 30.000 – R$ 60.000 | R$ 70.000 – R$ 140.000 |
| Total sem luvas | R$ 57.500 – R$ 134.000 | R$ 111.500 – R$ 255.000 | R$ 243.000 – R$ 567.000 |
| Cenário enxuto realista | R$ 62.000 | R$ 118.000 | R$ 265.000 |
O intervalo de R$ 92 mil a R$ 168 mil citado no começo do texto é o miolo da coluna do meio: uma loja pequena montada com equipamento novo de entrada, obra leve em ponto que já era comércio de alimentos e sem pagar luvas. Quem paga luvas, quem herda um ponto que era loja de roupa (e precisa levar hidráulica, ralo, exaustão e banheiro acessível para dentro) ou quem compra máquina de dois grupos importada vai para a metade de cima da faixa.
O Sebrae mantém fichas gratuitas de "Ideias de Negócio" para cafeteria, modelos de plano de negócios e consultoria a preço subsidiado — vale usar. O que aqueles materiais não fazem, por serem nacionais, é separar porte e cidade; a faixa larga que aparece neles é a média de realidades muito diferentes. A tabela acima serve exatamente para essa separação, e o próximo passo é entender o que empurrou os números para cima no último ano.
O que mudou de 2025 para 2026 e por que a planilha antiga não fecha
Quem montou uma planilha em 2025 e guardou na gaveta vai encontrar três linhas defasadas. Não é inflação geral espalhada por igual: são itens específicos que subiram muito mais que o resto.
- Café cru e torrado. A quebra de safra e a corrida internacional pelo arábica levaram o preço da saca a patamares recordes ao longo de 2025, e o repasse chegou ao balcão. Na prática, o custo do café dentro de uma xícara saiu da casa de R$ 0,60–R$ 0,90 para algo entre R$ 1,20 e R$ 1,90, dependendo da dose e do fornecedor. Numa loja que vende 120 bebidas por dia, isso é entre R$ 2.100 e R$ 3.600 a mais por mês no custo de mercadoria.
- Folha de pagamento. O salário mínimo de 2026 ficou pouco acima de R$ 1.600, contra R$ 1.518 em 2025. Como quase todo piso de comerciário é indexado a ele e os encargos incidem por cima, cada funcionário CLT ficou algo entre R$ 150 e R$ 220 mais caro por mês.
- Aluguel comercial. Os índices de reajuste de contrato (IGP-M e IPCA) voltaram a rodar acima de zero depois da deflação de 2023, e pontos de rua bem localizados em cidades médias tiveram renovação com aumento real.
- Equipamento. Aqui a notícia é boa: máquina e moedor nacionais praticamente acompanharam a inflação, e o mercado de seminovos revisados ficou mais líquido. Equipamento importado seguiu o câmbio, mas deixou de ser obrigatório — há linha nacional profissional de dois grupos disputando a mesma faixa de preço.
- Taxas de cartão e Pix. Não subiram; a migração para Pix, que sai de graça ou perto disso, é uma das poucas linhas que baratearam a operação em relação a 2025.
A leitura prática: o investimento de abertura subiu pouco (obra e equipamento seguiram a inflação), mas o custo mensal de operar subiu bastante. É por isso que o capital de giro da tabela está dimensionado para seis meses, e não para os três meses que se recomendava até 2024.
Marca própria x franquia: os dois totais lado a lado
Essa é a decisão que muda mais o número final, e ela raramente é apresentada com os dois totais na mesma tela. A comparação abaixo usa formatos equivalentes: uma loja de rua pequena tocada com marca própria contra os dois formatos de franquia mais oferecidos no Brasil.
| Item | Marca própria 20–30 m² | Franquia formato quiosque/express | Franquia loja de rua |
|---|---|---|---|
| Taxa de franquia inicial | não existe | R$ 25.000 – R$ 60.000 | R$ 40.000 – R$ 90.000 |
| Obra no padrão da marca | R$ 18.000 – R$ 45.000 | R$ 30.000 – R$ 70.000 | R$ 60.000 – R$ 160.000 |
| Equipamento e mobiliário | R$ 43.000 – R$ 98.000 | R$ 45.000 – R$ 90.000 | R$ 80.000 – R$ 190.000 |
| Estoque inicial | R$ 6.000 – R$ 12.000 | R$ 10.000 – R$ 20.000 | R$ 15.000 – R$ 35.000 |
| Capital de giro | R$ 30.000 – R$ 60.000 | R$ 30.000 – R$ 60.000 | R$ 60.000 – R$ 120.000 |
| Investimento total | R$ 111.000 – R$ 255.000 | R$ 145.000 – R$ 300.000 | R$ 260.000 – R$ 600.000 |
| Royalty mensal | zero | 4% a 8% do faturamento bruto | 4% a 8% do faturamento bruto |
| Fundo de propaganda | o que você decidir gastar | 1% a 3% do faturamento | 1% a 3% do faturamento |
| Prazo de contrato e renovação | só o do aluguel | 5 anos, com taxa de renovação | 5 anos, com taxa de renovação |
| Liberdade de cardápio e fornecedor | total | restrita à central de compras | restrita à central de compras |
| Tempo até a loja abrir | 4 a 8 meses | 3 a 6 meses | 4 a 7 meses |
O royalty não sai do lucro que sobra: sai do faturamento
Aqui está a conta que resolve a dúvida. Uma cafeteria pequena bem tocada fatura, digamos, R$ 45 mil por mês e fecha com lucro operacional de R$ 9 mil (voltaremos a esses números adiante). Se ela for franqueada com royalty de 6% mais 2% de fundo de propaganda, saem R$ 3.600 por mês — 40% do lucro, não 8% de coisa nenhuma. Em cinco anos de contrato, R$ 216 mil.
Isso não condena a franquia. Ela entrega marca pronta, layout testado, treinamento, negociação de insumos e, em shopping, acesso a pontos que dificilmente seriam liberados para um CNPJ novo sem histórico. A pergunta certa é: esses R$ 3.600 por mês compram fluxo suficiente para pagar a si mesmos? Em corredor de shopping com fluxo garantido, frequentemente sim. Em rua de bairro, onde quem constrói a clientela é o atendimento e o boca a boca, normalmente não.
Duas verificações obrigatórias antes de assinar qualquer contrato de franquia, previstas na Lei 13.966/2019: a franqueadora precisa entregar a Circular de Oferta de Franquia (COF) com pelo menos 10 dias de antecedência da assinatura ou de qualquer pagamento, e a COF precisa trazer o balanço dos dois últimos exercícios e a lista completa de franqueados — inclusive os que saíram nos últimos 24 meses, com telefone. Ligue para os que saíram; é a informação mais barata e mais honesta que você vai conseguir. Se quiser comparar redes antes disso, o guia de franquias de café especial no Brasil reúne os formatos e as faixas praticadas.
Quem vai de marca própria troca esses 8% mensais por trabalho: precisa construir posicionamento, escolher fornecedor e desenhar o cardápio sozinho. Em compensação, fica livre para comprar café direto do produtor, o que costuma render de 15 a 30 pontos percentuais a mais de margem na bebida do que a compra em central de compras.
Equipamentos: quanto custa cada peça, uma a uma
Somar "equipamentos: R$ 40 mil" numa planilha não permite decisão nenhuma. O que permite é saber onde cortar sem estragar a bebida — e a resposta, quase sempre, é a mesma: corte na fachada e no forno, nunca no moedor e no tratamento de água.
| Equipamento | Faixa de preço em 2026 | Dá para economizar? |
|---|---|---|
| Máquina de espresso 2 grupos, nova | R$ 22.000 – R$ 55.000 | Sim: linha nacional resolve. Um grupo custa R$ 9.000–18.000 e atende até ~80 bebidas/dia |
| Moedor on demand com dosagem por tempo ou peso | R$ 3.500 – R$ 12.000 | Não. É o equipamento que mais mexe no sabor da xícara |
| Segundo moedor, para coado e descafeinado | R$ 1.500 – R$ 4.000 | Adiável no mês 1, mas sem ele o barista regula o moedor 30 vezes por dia |
| Sistema de filtragem com abrandador de dureza | R$ 1.200 – R$ 4.000 | Não. Água dura incrusta a caldeira e a conta chega como R$ 4.000 de conserto |
| Balança de 0,1 g para dose e extração | R$ 250 – R$ 600 | Não, e é o item mais barato da lista |
| Expositor refrigerado + geladeira de leite | R$ 3.500 – R$ 9.000 | Sim, comprando seminovo de restaurante que fechou |
| Forno turbo ou combinado | R$ 3.000 – R$ 12.000 | Sim: terceirize a padaria nos 6 primeiros meses e compre depois |
| Máquina de gelo (30 kg/dia) | R$ 4.000 – R$ 9.000 | Depende da cidade: onde gelado é 40% da venda no verão, não é opcional |
| Bancada inox, cuba, coifa e depurador | R$ 5.000 – R$ 15.000 | Parcialmente: marcenaria local sai mais barata que móvel de food service pronto |
| PDV, gaveta, impressora de NFC-e | R$ 1.500 – R$ 4.000 | Sim: sistemas por assinatura de R$ 90–250/mês dispensam compra |
| Métodos coados: V60, Chemex, prensa, Aeropress, chaleiras | R$ 800 – R$ 2.500 | Custo pequeno e é o que diferencia o cardápio da esquina |
| Mesas, cadeiras e banquetas (16 lugares) | R$ 6.000 – R$ 15.000 | Sim, e cadeira de brechó reformada virou identidade visual em muita loja |
| Louça, utensílios de barista, bandejas | R$ 2.500 – R$ 6.000 | Compre 2,5 vezes o número de lugares: quebra é constante |
Uma máquina seminova revisada com nota fiscal sai por 40% a 60% do valor de nova e é uma decisão defensável — desde que venha com laudo de troca de caldeira e resistência. Já o moedor seminovo exige olhar a rebarba: rebarba gasta produz finos demais e derruba a extração sem que ninguém entenda por quê. Se você ainda está escolhendo, vale ler o comparativo de máquinas de espresso por custo-benefício e o guia de como escolher o moedor antes de fechar orçamento.
Quanto a cafeteria consome por mês depois de aberta
O erro clássico é planejar a abertura e esquecer o mês 7. Esta é a estrutura mensal de uma loja pequena, dois funcionários, cidade média brasileira, em 2026.
| Custo fixo mensal | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Aluguel + condomínio + IPTU | R$ 4.500 | Deve ficar abaixo de 12% do faturamento previsto |
| 2 funcionários CLT com encargos e provisões | R$ 7.500 | Salários somam R$ 4.400; encargos e provisões acrescentam ~70% |
| Pró-labore do sócio operador | R$ 3.000 | Se você não se paga, a loja parece lucrativa e não é |
| Energia, água, gás e internet | R$ 1.400 | Máquina de espresso ligada 10 h/dia é o maior consumo isolado |
| Contador | R$ 500 | Escritório com experiência em food service vale a diferença |
| PDV, delivery e ferramentas | R$ 250 | Comissão de aplicativo de entrega entra como custo variável |
| Marketing e conteúdo | R$ 600 | Boa parte é tempo, não dinheiro |
| Manutenção, limpeza e reposição | R$ 550 | Inclui a revisão semestral da máquina, R$ 600–1.500 por visita |
| Total fixo | R$ 18.300 | Sai da conta mesmo com a loja vazia |
Sobre esse fixo incidem os custos variáveis, proporcionais à venda: CMV de 30% a 34% (café, leite, insumos de padaria, embalagem e a quebra de perecível, que fica entre 3% e 6%), 2,0% a 2,8% de taxa média de meios de pagamento na mistura de Pix, débito e crédito, e 6% de Simples Nacional. Cafeteria e lanchonete (CNAE 5611-2/03) são tributadas pelo Anexo I do Simples: 4% sobre a receita bruta até R$ 180 mil por ano, subindo para uma alíquota efetiva perto de 5,5% na faixa seguinte, até R$ 360 mil. E o MEI não serve para esse negócio — o teto de R$ 81 mil por ano estoura com R$ 6.750 de faturamento mensal, menos do que uma loja pequena precisa fazer só para pagar o fixo.
Somando: os variáveis consomem cerca de 40% da receita, e sobram 60% de margem de contribuição para pagar o fixo e virar lucro. Guarde esse 60%, porque é dele que sai o número mais importante do texto.
Quantos clientes por dia para empatar
O ponto de equilíbrio é o custo fixo dividido pela margem de contribuição:
- Faturamento de equilíbrio: R$ 18.300 ÷ 0,60 = R$ 30.500 por mês.
- Ticket médio realista numa loja de bairro com café e uma coisa para comer: R$ 22.
- Pedidos por mês: R$ 30.500 ÷ R$ 22 = 1.386 pedidos.
- Dias de operação: 26 por mês (fechando domingo).
- Resultado: 53 clientes por dia. Numa jornada de 10 horas, são 5 a 6 pedidos por hora — ou um cliente a cada 11 minutos, sem falha, todos os dias.
Esse é o número que separa o plano do sonho. Cinco clientes por hora parece pouco quando escrito assim, mas exige movimento de rua real: entre 400 e 700 pessoas passando pela porta por dia, com taxa de conversão de 8% a 12%. Antes de assinar contrato de aluguel, sente numa cadeira em frente ao ponto por duas horas em três dias diferentes e conte quantas pessoas passam. É a pesquisa de mercado mais barata que existe e a que mais evita prejuízo.
Dois ajustes mudam esse ponto de equilíbrio mais rápido do que qualquer promoção. O primeiro é o ticket médio: subir de R$ 22 para R$ 26 derruba a exigência de 53 para 45 clientes por dia. Isso se faz com combo, com uma segunda bebida no cardápio e com um preço construído a partir da margem, e não copiado do concorrente. O segundo é o mix de produtos: um espresso puro tem custo de mercadoria abaixo de 15%, enquanto um sanduíche pronto passa de 45%. Vender mais bebida do que comida melhora a margem de contribuição inteira.
Margem real e em quanto tempo o dinheiro volta
Com a mesma loja faturando R$ 45 mil por mês, cenário de uma operação madura e bem localizada:
- Margem de contribuição: R$ 45.000 × 60% = R$ 27.000
- Menos o fixo de R$ 18.300 = R$ 8.700 de lucro operacional
- Margem líquida: 19,3%, já com o pró-labore de R$ 3.000 pago dentro do fixo
- Investimento de R$ 118.000 ÷ R$ 8.700 = 13,6 meses de payback a partir do momento em que a loja atinge esse faturamento
A ressalva que transforma esse cálculo em algo honesto: nenhuma cafeteria fatura R$ 45 mil no mês 1. A curva típica é de 40% a 55% da meta no primeiro mês, chegando ao ponto de equilíbrio entre o quarto e o oitavo mês. Somando o prejuízo acumulado dessa rampa, o payback real de uma loja pequena fica entre 22 e 34 meses — dois a três anos. Quem promete retorno em 12 meses está contando a partir da maturidade e ignorando o buraco do começo, que é exatamente o buraco que o capital de giro de seis meses existe para cobrir.
Margem líquida saudável em cafeteria pequena fica entre 8% e 20%. Abaixo de 8%, qualquer aumento de aluguel ou de café apaga o lucro. Acima de 20%, é quase sempre porque o dono não está lançando o próprio salário na conta.
Dá para abrir com menos: quiosque, coffee bike e loja sem salão
Se R$ 118 mil está fora de alcance agora, há formatos que reduzem a barreira sem transformar o produto em algo pior. Todos têm o mesmo lastro: o café é o mesmo, o que muda é a estrutura ao redor.
- Coffee bike ou carrinho — R$ 18 mil a R$ 35 mil. Carrinho ou triciclo adaptado, máquina de um grupo ou métodos coados, gerador ou bateria, alvará de ambulante. Custo fixo mensal abaixo de R$ 3.000, o que derruba o ponto de equilíbrio para menos de 20 clientes por dia. Limitação real: chuva, e a impossibilidade de acumular clientela de mesa.
- Quiosque em galeria, coworking ou prédio comercial — R$ 45 mil a R$ 80 mil. Aluguel menor, obra mínima, fluxo cativo. Funciona melhor onde já existe gente circulando por outro motivo; morre em galeria vazia.
- Cafeteria sem cozinha — R$ 70 mil a R$ 110 mil. Salão pequeno, padaria terceirizada, cardápio de 8 itens. Elimina forno, coifa pesada e boa parte da exigência da vigilância sanitária. É o caminho mais racional para a primeira loja.
- Torrefação e venda online, sem salão — R$ 40 mil a R$ 90 mil. Sem aluguel de ponto de rua, sem funcionário de atendimento. Vender por e-commerce próprio ou por clube de assinatura mensal troca o problema do fluxo de pedestres pelo problema da aquisição de clientes — que é caro, mas escalável.
- Fornecimento para empresas — investimento marginal. Vender café em grão e serviço de bar para escritórios exige pouco além do que a loja já tem. É a receita recorrente que segura janeiro e julho, quando o balcão esvazia; veja como estruturar o atendimento corporativo.
Os sete custos que derrubam cafeteria no primeiro ano
Não são os custos grandes que quebram — esses todo mundo prevê. São estes:
- Capital de giro subdimensionado. É a causa número um. Loja aberta com R$ 10 mil de caixa fecha no mês 5 mesmo vendendo bem, porque a rampa consome mais do que o caixa aguenta.
- Alvará que demora. Entre protocolo e liberação de alvará de funcionamento, licença sanitária e AVCB, passam de 30 a 120 dias, dependendo do município. O aluguel corre nesse período. Negocie carência de 60 a 90 dias no contrato — é padrão de mercado e quase sempre aceito.
- Banheiro acessível. A NBR 9050 é o item que mais gera obra extra em ponto herdado. Um banheiro adaptado que precisa ser construído do zero custa R$ 8 mil a R$ 20 mil e não estava na sua planilha.
- Água. Sem abrandador, a caldeira incrusta em 8 a 18 meses. O conserto custa mais que o filtro inteiro, e a máquina fica parada dois dias.
- Cardápio grande demais. Cada item novo é estoque parado e mais quebra. Vinte itens numa loja de 25 m² significam 6% de perda de perecível em vez de 3% — R$ 1.350 por mês jogados no lixo em cima de R$ 45 mil de faturamento.
- Sazonalidade ignorada. Loja em região comercial cai de 20% a 30% em janeiro, fevereiro e julho. Loja de bairro residencial faz o inverso. Descobrir isso no primeiro janeiro, sem caixa, é o que mata.
- Barista sem treino. Equipamento de R$ 40 mil operado por quem nunca calibrou moagem produz o mesmo café da padaria da esquina. Um curso de barista custa uma fração de um mês de aluguel e é o investimento com melhor retorno da lista.
Do lado positivo, três coisas movem o ponteiro mais do que qualquer corte de custo: presença consistente nas redes com foto do que sai do balcão, um motivo para o cliente voltar na quinta-feira e um café que a pessoa não consegue tomar igual em outro lugar. O mercado brasileiro de cafés especiais cresce em ritmo bem acima do café tradicional justamente porque existe gente disposta a pagar mais por xícara — e é essa gente que faz o ticket de R$ 26 acontecer. Se quiser o passo a passo operacional da abertura, o guia de como abrir uma cafeteria de café especial complementa esta parte financeira, e o texto sobre estratégias de venda para cafeteria trata do que fazer depois da inauguração.
Perguntas frequentes
Quanto custa abrir uma cafeteria pequena no Brasil em 2026?
Entre R$ 92 mil e R$ 168 mil para uma loja de 20 a 30 m² com balcão, cinco mesas e dois funcionários, incluindo obra, equipamento, mobiliário, estoque, burocracia e capital de giro para seis meses. Sem capital de giro, o investimento de abertura fica entre R$ 62 mil e R$ 108 mil — mas abrir sem colchão de caixa é a principal causa de fechamento no primeiro ano. Pontos que exigem luvas, obra pesada ou máquina importada levam o total acima de R$ 200 mil.
O investimento subiu de 2025 para 2026?
Subiu cerca de 12%, mas de forma desigual. Obra e equipamento nacional acompanharam a inflação. O que pesou foi o custo de operar: o café dentro da xícara passou de R$ 0,60–0,90 para R$ 1,20–1,90 depois da alta da saca em 2025, e o salário mínimo de 2026 ficou pouco acima de R$ 1.600, contra R$ 1.518 em 2025. Por isso o capital de giro recomendado passou de três para seis meses.
Dá para abrir uma cafeteria com R$ 50 mil?
Com salão e mesas, não. Com formato reduzido, sim: um coffee bike sai por R$ 18 mil a R$ 35 mil e um quiosque em galeria ou coworking por R$ 45 mil a R$ 80 mil. O quiosque tem custo fixo mensal abaixo de R$ 3.000, o que derruba o ponto de equilíbrio para menos de 20 clientes por dia. É o caminho de quem quer testar praça e clientela antes de assumir contrato de cinco anos.
Quanto custa uma franquia de cafeteria e ela vale mais a pena que marca própria?
Franquia formato quiosque ou express: R$ 145 mil a R$ 300 mil, com taxa inicial de R$ 25 mil a R$ 60 mil. Franquia de loja de rua: R$ 260 mil a R$ 600 mil, com taxa de R$ 40 mil a R$ 90 mil. Sobre isso incidem royalties de 4% a 8% do faturamento bruto mais 1% a 3% de fundo de propaganda. Numa loja que fatura R$ 45 mil e lucra R$ 8.700, 8% de taxas significam R$ 3.600 por mês — 40% do lucro. A franquia compensa quando o ponto e a marca trazem fluxo que você não conseguiria sozinho, o que costuma ser verdade em shopping e falso em rua de bairro. Exija a Circular de Oferta de Franquia 10 dias antes de assinar e ligue para os franqueados que saíram nos últimos 24 meses.
Quantos clientes por dia uma cafeteria pequena precisa para se pagar?
Cerca de 53, com ticket médio de R$ 22 e custo fixo de R$ 18.300 por mês. A conta é: R$ 18.300 dividido por 60% de margem de contribuição dá R$ 30.500 de faturamento de equilíbrio; dividido pelo ticket e por 26 dias de operação, dá 53 clientes diários, ou 5 a 6 por hora. Subir o ticket para R$ 26 reduz a exigência para 45 clientes por dia.
Qual é a margem de lucro de uma cafeteria?
De 8% a 20% de margem líquida em operação madura, com o pró-labore do dono já descontado. O custo de mercadoria fica entre 30% e 34%, meios de pagamento consomem 2,0% a 2,8% e o Simples Nacional cerca de 6%. Margem acima de 20% quase sempre indica que o dono não está lançando o próprio salário na conta.
Em quanto tempo uma cafeteria começa a dar lucro?
O ponto de equilíbrio mensal chega entre o quarto e o oitavo mês. O retorno do capital investido, considerando o prejuízo acumulado da rampa inicial, leva de 22 a 34 meses numa loja pequena. Promessas de payback em 12 meses contam apenas a partir da maturidade e ignoram o período em que a loja opera abaixo do equilíbrio.
Preciso de CNPJ e qual regime tributário serve?
Sim, e o MEI não atende: o teto de R$ 81 mil por ano corresponde a R$ 6.750 mensais, abaixo do necessário só para cobrir o custo fixo. O caminho usual é ME no Simples Nacional, com o CNAE 5611-2/03 (lanchonetes, casas de chá e similares) tributado pelo Anexo I: 4% sobre a receita bruta até R$ 180 mil por ano e alíquota efetiva perto de 5,5% na faixa seguinte. Some ainda alvará de funcionamento, licença sanitária, AVCB do corpo de bombeiros e curso de manipulação de alimentos para a equipe.